domingo, 6 de fevereiro de 2011

Coloque-me na sua cama e deixe-me lá até o amanhecer.


Era algo indefinido. Novo. Louco. Pouco importava a palavra correta para expressar isso. Mas fazia-a querer jogar seus sapatos pro alto, soltar o elástico de seus cabelos, retirar sua roupa e correr até os braços dele. Não era compreensível pra ela aquilo. Era na verdade, inadmissível que ele fosse tão irresistível e mexesse tanto com a intensidade de suas emoções. Mas ele fazia, e o fazia muito bem. Era capaz de deixá-la insana.
Desejava roçar seus lábios nos dele. Desejar sentir seus cílios na pele de sua bochecha. Desejava o silêncio de um cômodo, partido apenas pela respiração dele. Reprimia seus lábios na tentativa de reprimir seus sentimentos. Porém, a cada vez que alguma palavra era proferida daqueles lábios, ou até mesmo, daquele olhar, tudo que ela queria, é que ele lhe tomasse nos braços e a deixasse desabrochar-se neles, como uma Rosa.
Ele a tinha de uma forma insensata. Conquistava-a todos os dias, de modos diferentes. E não havia necessidade de forçar algo para conseguir isso dela. Era simplesmente fascinada pela sua personalidade, seu mistério, seus desejos, seus detalhes e algumas de suas fraquezas.
Não havia aqueles sintomas tão citados em poemas fartos de paixão. Havia apenas o revirar do estômago a espera de suas tão adoráveis palavras. A saudade, quando tinham que partir. E a espera, quando desejavam partilhar a companhia.
E não havia cobranças. Não se prendiam. Sentiam-se livres, e era isso o que os deixava mais próximos ainda.
Ela desejava acordar exausta e ver o corpo dele, coberto por lençóis finos e brancos como algodão. Desejava sentir seus dedos a dedilharem, apertarem-na. Desejava um quarto escuro, uma cama macia, e seu homem ali para colocar um sorriso no rosto dela. Desejava, desejava, desejava. Ah, como alimentava desejos. Mas pouco se preocupava com isso. Ele a fazia bem. Trazia serenidade a sua alma.
E ela, sinceramente, amava isso. Amava quando ele expressava ciúmes. Mas amava mais ainda, estar em seus braços, na desordem dos tecidos, iluminada por uma fraca luz, e ainda assim querer sussurrar em seu ouvido: "Sua".

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