Ele era um porra louca. Daqueles de dizer o que pensa na cara de quem deve. Daqueles de viajar o mundo todo em busca da felicidade, que parecia mudar de estado e país a cada dia, levando-o consigo. E eu gostava disso nele. O modo como ele tratava as pessoas, o modo como ele sorria, o modo como ele fazia das músicas a sua vida. Procurava viver cada instante intensamente.
O nosso momento foi um desses. Libertou-me da minha rotina pacata e sem brilho e deu à minha vida um novo tom de azul-claro que só seus olhos possuíam. Fez-me um convite inesperado de viajar por vários lugares, conhecer novas pessoas. Ele me encantou tão imensamente que ao me perguntar isso aflorou um dos meus maiores medos: o de ser abandonada. Sabe como é. E nessa minha queda à repressão ele me resgatou e me mostrou como o sol pode brilhar em certos momentos.
Fui com ele. Era uma experiência nova. A cada dia que se passava eu via um novo homem. Talvez eu dormisse com vários homens em uma semana num mesmo corpo. Ele era excêntrico e sabia como me satisfazer. Em todos os sentidos. Financeiro, emocional, sexual. Dizer que ele era perfeito seria exagero. Ele era irritantemente diferente. Opiniões e conceitos que me estressavam, mas que me faziam ver vários outros lados – bons ou ruins – de certos temas.
Viajávamos, conhecíamos pessoas novas. “Você é o que dele?” Ficava sem responder. Ele nunca deixou claro o que eu era dele. Não sentíamos essa necessidade de nos afirmar namorados ou coisa assim. Nós apenas demonstrávamos o que sentíamos em gestos. Maravilhosos gestos. “Vocês pretendem se casar?” Disso eu tinha certeza que não. Formávamos um par perfeito, mas a eternidade só pertencia ao tempo. Casamento é um contrato sério demais para duas pessoas que não querem saber do futuro.
“Mas... vocês pretendem se amar para ‘sempre’, como todo casal quer?” E era nessa pergunta que sempre me pegavam. Eu não sabia o que responder. Ele conseguia mudar de personalidade tão rapidamente que me assustava, me alegrava e ao mesmo tempo provocava-me o medo de ser abandonada por uma pessoa que me completava tanto.
E no fim foi isso que aconteceu. Era o que tinha que ser. Repasso todos os nossos momentos em minha mente como se fosse real, como se eu pudesse tocar o seu rosto e sentir aquela barba mal-feita me incomodando. A paz que ele emanava era para poucos. Talvez eu pertencesse mesmo à repressão. E ele à excentricidade. E se cumpriu o que eu costumava dizer sempre: “Você é demais para esse mundo todo.” Ele tinha algo especial. Deus – ou morte, ou qualquer outra coisa que você queira chamar – o levou do mundo.
E de mim.

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