terça-feira, 29 de março de 2011

infinito momentâneo

[…]
– Isso foi um erro – disse, olhando para os sapatos, com dificuldade de amarrar os cadarços em meio às lágrimas grossas, exasperantes. – Pode ser que ainda haja um trem de volta para Londres.
Enxugando os olhos com impaciência, encaminhou-se para a sala. Ramsey deu um passo hesitante para lhe barrar o caminho.
– Deixe-me ir embora – disse Irina, cansada.
Por um instante, ele relutou na fronteira. Irina viu a indecisão em seu rosto, como se sua mente preparasse mais uma afirmação que recomeçaria a briga. […], Ramsey segurou Irina por baixo dos braços e a levantou acima da cabeça. Baixando-a devagar, deslizou o corpo dela contra o seu, até deixá-la com a boca a um milímetro de seus lábios.
– Estamos tendo uma briga? – indagou ela, aspirando o champanhe e o tabaco no hálito de Ramsey.
Ele considerou a questão.
– Não.
– Então, de que você chamaria isso?
– Não vejo por que tenhamos que chamá-lo de alguma coisa.
– Que tal “desperdício”?
Pouco antes de beijá-lo, Irina teve que relutar contra o crescente desejo de cronometrar aquele momento, como se pudesse saber a duração do infinito momentâneo.
[…]
Lionel Shriver.
[…]
– Isso foi um erro – disse, olhando para os sapatos, com dificuldade de amarrar os cadarços em meio às lágrimas grossas, exasperantes. – Pode ser que ainda haja um trem de volta para Londres.
Enxugando os olhos com impaciência, encaminhou-se para a sala. Ramsey deu um passo hesitante para lhe barrar o caminho.
– Deixe-me ir embora – disse Irina, cansada.
Por um instante, ele relutou na fronteira. Irina viu a indecisão em seu rosto, como se sua mente preparasse mais uma afirmação que recomeçaria a briga. […], Ramsey segurou Irina por baixo dos braços e a levantou acima da cabeça. Baixando-a devagar, deslizou o corpo dela contra o seu, até deixá-la com a boca a um milímetro de seus lábios.
– Estamos tendo uma briga? – indagou ela, aspirando o champanhe e o tabaco no hálito de Ramsey.
Ele considerou a questão.
– Não.
– Então, de que você chamaria isso?
– Não vejo por que tenhamos que chamá-lo de alguma coisa.
– Que tal “desperdício”?
Pouco antes de beijá-lo, Irina teve que relutar contra o crescente desejo de cronometrar aquele momento, como se pudesse saber a duração do infinito momentâneo.
[…]
  • Lionel Shriver.

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