
... em uma madrugada fria, ela via uma cena triste: a sua cama, tão vazia. Ela trocava, mexia, destrocava e remexia para todos os lados, a fim de acha um conforto qualquer; mas só encontrou aquela velha falta. Era uma ausência sem tamanho do corpo que antes preenchia tão bem aquela cama, agora desértica. Era pura saudade. Por horas ela ficou assim: mexendo os pés em busca de outros dedos que lhe seguissem, movendo a cabeça a fim de achar um braço que oferecesse aquele velho aconchego, ou procurando com as mãos algum sinal de que nada havia mudado. Debaixo daquele fino lençol ela sentia frio, então cobriu-se com mais uma colcha. Não adiantou, afinal o frio vinha de dentro. E só aquele velho calor poderia aquecê-la: o dos braços daquele que era o motivo de sua saudade. E enquanto se revirava naquela cama, a única coisa que não permanecia deserta era a sua mente. Por mais agonia que sentisse, ou por mais que a ausência tomasse conta, seus pensamentos eram vivos como um drama sem final feliz. Abatida, ela tentava entender como havia deixando escapar pelos dedos toda sua felicidade. E entre seus pensamentos, o pulsar do relógio era o único fio de esperança no qual ela decidiu se prender. Aquele tiquetaquear era, de certa forma, uma expectativa de que tudo o que ela estava sentindo ia embora com os minutos, no máximo até o nascer do sol. Era esta, na verdade, uma espera em vão. Porque aquela ausência nunca deixaria de ser sentida, nem ao menos em seus sonhos. E, no final, ela percebeu que o vazio não era só na sua cama, mas também no seu coração.
Nenhum comentário:
Postar um comentário